Mito:se a IVG fôr ilegal deixará de ser praticada.
Realidade: a IVG existe desde sempre. Ser praticada ilegalmente só aumenta as taxas de mortalidade e lesão grave de quem a procura e tenta. Também aumenta um promíscuo mercado negro que não garante condições seguras.
A OVO lançou dados estatísticos sobre este tema, vale a pena ver.
Mito:A IVG é contraceptivo.
Realidade: a IVG é um último recurso, porquê?
Os métodos contraceptivos falham, não há métodos 100% eficazes.
A pílula do dia seguinte inclui-se aqui.
A IVG é física e emocionalmente dolorosa. Não é um processo desejável, muito menos confortável para quem o vive.
Mito:Os médicos favorecem a IVG.
Realidade: Temos inúmeros casos onde de facto a IVG é proposta de forma invasiva e também por preconceito, sobretudo em casos quer de progenitoras quer de crianças racializadas e/ou neuro- divergências (autismo, trisomia 21, entre outras patologias compatíveis com a vida).
Coacção à IVG, seja por parte de profissionais de saúde ou outrem, é crime na lei portuguesa.
Coacção aos seu impedimento em caso de vontade explícita da progenitora (dentro dos prazos legalmente previstos) também configura crime.
Temos muitos casos ainda onde a IVG não só não é proposta como, para além dos inúmeros profissionais objetores de consciência, há uma verdadeira pressão e coação sobre quem deseja receber o procedimento. Temos regiões do país onde não há, literalmente, nenhum profissional disponível para fazer IVG, impedindo que um direito seja exercido no tempo legal previsto, ou sendo feito com violência verbal e muita delonga.
Coacção, para além de ser crime, está sempre errada, quer no sentido de impor quer de retirar o acesso à IVG.
A objecção de consciência é um direito na lei, no entanto deverá caber às instituições prestadoras de serviços de saúde assegurar que há profissionais não objetores disponíveis para assegurar o cumprimento legal da IVG.
Mito:A IVG é um negócio.
Realidade: no SNS a IVG tal como o parto são gratuitos.
Em hospitais particulares a IVG oscila entre os 300€ e os 600€ e o parto entre 1000€ e os 7000€, consoante os hospitais prestadores do serviço.
Bem feitas as contas, o grande negócio é o parto.
Mito: Os homens não fazem parte da decisão da IVG.
Realidade: Inúmeros homens decidem em conjunto no contexto da sua relação, avançar com a IVG.
Mito: Se a mulher decidir fazer IVG e o homem não quiser?
Realidade: Cada relação encontra os seus modelos. Há pessoas que dão a guarda ao Pai, outras não, por viverem situações de abuso ou por outras realidades múltiplas.
Mito: As pessoas só não avançam com a gravidez por razões económicas.
Realidade: Depende. Embora a segurança financeira seja um factor determinante não só não é o único como também não há um factor principal, mas múltiplos, que entram nesta decisão.
Embora seja necessário que os apoios financeiros aumentem largamente de valor, já existem apoios para mães solteiras e para casais em situação vulnerável.
Mito: Em vez da IVG as pessoas deviam ter a criança e dar para adopção.
Realidade: Com toda a legitimidade, esta é uma opção íntima e única. É incrivelmente violento forçar alguém a gerar um ser 9 meses, viver um parto e pós parto, colocar uma criança recém-nascida numa instituição onde pode ou não vir a ser adoptada bem como sofrer abusos. A culpa é muito maior do que interromper uma gravidez em estágio embrionário que ninguém sabe com certeza absoluta se sobreviveria viavelmente.
Mito: os casais que não podem ter filhos podem adoptar crianças que os progenitores não desejam cuidar.
Realidade: Sim, é uma possibilidade. Porém, requer que a progenitora esteja disponível para viver toda a gestação, parto e pós parto. Também é relevante saber que para muitos casais com questões de Fertilidade a adopção é a última opção e não a primeira, sendo que a primeira é a fertilização in vitro. Importante também é que bebés brancos têm uma taxa de adopção muitíssimo maior do que bebés de outras etnias e que muitas crianças são devolvidas inúmeras vezes às instituições de adopção. Para além disso, é perfeitamente legítimo que casais/ pessoas prefiram passar por uma gestação in vitro em vez de adoptar. As que preferem são muitas vezes altamente julgadas por isso, no entanto.
Mito: todas as IVGs seriam gestações viáveis.
Realidade: não há como afirmar isto com veracidade, não é realista. Relembramos que a perda gestacional é mais frequente entre as 8 e as 10 semanas, incidindo sobre a mesma fase da IVG.
Mito: a culpa da IVG é da mulher.
Realidade: não, a responsabilidade é mútua e é fundamental educar para a ejaculação responsável. Recomendo a obra com este mesmo título de Gabriele Blair




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