Abriu a manhã com Abril.
Chamo o meu Filho e relembro-o: esta revolução pela Liberdade foi-te oferecida. Cuida-a e deixa-a aos teus para que não seja, jamais, necessário fazer outra.
São 51 anos de um Abril que ainda se cumpre. Não era nascida quando se fez. Foi-me entregue nas mãos como um craveiro que tinha não só de colher mas sobretudo, de plantar e cuidar para que se mantenha viçoso e se expanda.
Nessa demanda permaneço e permanecerei até ao meu último dia. Sei que a exaustão nos desespera e que o peito nos sangra diante dos desmandos e da violência diária tão transversal.
E há quem faça o seu necromante aproveitamento da fragilidade para uma divisão que lhe enche o bolso.
Abril pede-nos mãos de ferais e gentis ervideiras: para cuidar, adubar, podar, cantar aos craveiros e continuar doando pézinhos até que habitem cada canteiro, cada coração e se façam casa para quem se vê impedido de ter tecto numa nação que se quer de igualdade e empatia num estado laico que se vê cristão mas onde Cristo viraria as mesas à porta do templo, com ira e vergonha alheia.
Que se faça Abril em nós e nós nele. Que façamos de Abril um mapa que todos os dias nos guia e cujos valores se celebram. Há quem romantize reinos, feudalismos, ditaduras. Há quem confunda medo com respeito.
Para mim, não há mais magnânime dia da nossa história do que 25 de Abril.
É legado conversa viva tecendo diálogo com tudo e todos. É daninho e é rubro. Arde e ilumina, nunca cessa de nos abençoar.
Como vos tocam estas palavras?




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