Fico em contacto com a minha integridade enquanto capacidade de regulação nervosa quando simplifico e não me sobrecarrego.
Mas também quando a sobrecarga é inevitável e me dou conta dela, procurando ir passo a passo com gentileza, compaixão e atenta aos tempos possíveis de pausa para recuperação e nutrição.
O nosso sistema nervoso não precisa nem depende de uma vida perfeita nem priviligiada, tão pouco estará sempre regulado ou em “equilíbrio”.
Precisa sim de uma capacidade ancorada para gerir os momentos de intensidade em contacto com o corpo.
Somos seres vivos e a agitação faz parte da nossa capacidade de desenvolver resiliência, bem como de aprender sustenta-la.
Deb Dana fala-nos da importância de não criar significado constante para o que acontece no sistema nervoso, em suma, para tudo o que sentimos emocional e fisiologicamente. Sim, o significado é importante mas a busca excessiva por significado também é criar activação e sobrecarregar-nos muitas vezes de narrativas mais fantasiosas do que construtivas.
Em momentos de sobrecarga, voltar ao corpo como lugar de voz mas também de silêncio, compreendo que acolher é muito mais importante do que interpretar e interferir, é em si um enorme recurso rumo à propriocepção em compaixão por nós, pelas nossas relações e pelas nossas circunstâncias.
Muitas vezes, este também é um espaço que nos permite discernir como o meio envolvente nos impacta. Porque, tão pouco o sistema nervoso é apenas singularmente individual mas um sistema colectivo, comunitário e ecossistémico.
Ancorar esta complexidade é também uma prática que se tece. Dia a dia, a partir desse mesmo lugar do contacto sensível sem a violência da intervenção que corrige sem escutar e por isso perde sempre pedaços importantes de informação não linear e profunda.
Temos tempo. Não é um objectivo terminal, mas uma Peregrinação permanente em espiral e teia.
Como vos tocam estas palavras?
🌿 Na imagem: passiflora





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